Ser cristão é mais do que
pertencer a uma instituição cristã, não
basta cumprir determinadas regras, sobretudo regras estabelecidas por vontades
de homens. O Senhor Jesus sempre determinou que seus seguidores tivessem uma
vida marcada pela diferença, uma vida que fosse de encontro ao senso comum, que
contrariasse a ideia de comportamento que a sociedade tem como correta ou
aceitável. É comum as pessoas terem um comportamento idêntico àquele que lhes é
dispensado, quando Jesus determina o contrário. As pessoas têm como prática o
fazer o bem a quem lhes fazem bem, cumprimentar aqueles que lhes cumprimentam,
serem amigas daqueles que lhes são amigos. Cristo então vem com um ensinamento
que está na contra mão do que as pessoas pensam e a forma como agem. Em Lucas
6:27-31, Cristo dá a receita de como seus seguidores devem proceder no tempo e
época em que viverem. O Senhor Jesus diz que seus servos devem “amar os seus
inimigos; fazer o bem aos que vos odeiam; bendizer aos que vos maldizem, orar
pelos que vos caluniam. Ao que lhe bater uma face, oferecer também a outra; e,
ao que tirar sua capa, dar-lhe também a túnica; dar a tudo o que lhe pede; e se
alguém levar o que é teu, não entre em demanda. Como quereis que os homens vos
façam, assim fazei-o vós também a eles” esse na realidade deve ser o
comportamento do cristão, porque é dessa forma que a diferença se evidencia,
enquanto as pessoas evidenciam o “olho por olho dente por dente” Jesus mostra o
seu amor incondicional.(Mt 5:38-48)
É
possível que ao ler esse editorial alguém ache impossível, a homens pecadores e
limitados como nós somos terem um comportamento tão puro e elevado, ledo
engano. É perfeitamente possível a meros mortais terem esse tipo de
comportamento. Para que se consiga cumprir as determinações do Senhor Jesus
Cristo, é preciso tê-lo como Senhor e Salvador, permitindo assim que o Espírito
Santo de Deus habite em seu ser porque é essa ação do Espírito que nos
transforma em nova criatura, como observamos em IICo 5:7 “Se alguém está em
Cristo é nova criatura; as coisas antigas(velhas) já passaram; eis que se
fizeram novas.” Então é perfeitamente possível a seres humanos transformados
pelo poder de Deus cumprirem o que Cristo ordenou “fazei aos outros o que você
gostaria que os outros fizessem a você.”
Muitas
vezes parece impossível realizar aos outros o bem que gostaríamos que eles nos
fizessem pelo fato de vivermos em uma sociedade que busca tão somente seus
próprios interesses, ditados populares como, por exemplo, “farinha pouca meu
pirão primeiro” ou “antes que a minha mãe chore que chore a dele”, não fazem
parte do pensamento cristão, nem dos ensinamentos do Senhor Jesus e demonstram
exatamente o pensamento do homem sem a mente de Cristo. Como servos do Senhor
Jesus Cristo, precisamos ter o comportamento como o do Senhor que deu a sua
vida em resgate de homens pecadores quando não merecíamos (Rm 5:8). Para
que não se pense que o comportamento de Cristo se deveu ao fato dele ser filho
de Deus tendo uma missão específica Veremos a partir de agora a história de um
homem comum, que foi transformado pelo poder de Deus e que cumpriu até ao fim
de sua vida o mais alto padrão do comportamento cristão. Na próxima semana,
daremos continuidade a esse editorial conhecendo a história desse exemplo de
servo.
Quando nos
propusemos falar de um exemplo de servo cristão, não poderíamos ter em mente
alguém que não fosse fiel até a morte ou se preciso fosse morrer, mesmo não
estando de posse de apocalipse 2:10”...se fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa
da vida”., esse nosso exemplo de servo cristão morreu mantendo sua fidelidade
para com o seu Senhor Jesus Cristo. E lógico, como diz o tema deste editorial, estamos
falando de Estevão o primeiro mártir do cristianismo. Como já disse em outras
oportunidades, Estevão não teria vez em determinados seguimentos do
cristianismo contemporâneo, não serviria de testemunho em alguns grupos evangélicos,
isso porque para muitos cristãos contemporâneos, exemplo de fé está diretamente
relacionado com sucesso financeiro, riquezas, muitos bens materiais e fartura.
É inadmissível para alguns segmentos evangélicos pensar em exemplo de crente
como Estevão. Nos tempos atuais Estevão não tem sido exemplo nem para
determinadas campanhas. Tem campanha de “Jacó”, “José”, “Josué”, “Gideão”, “da Oração
de Jabes”, entre outras, mas, campanha de “Estevão”, não se vê, sabe por quê? Porque
Estevão não era conhecido por seus bens materiais e sim por seus tesouros
espirituais, esse homem de Deus é relacionado na Bíblia como alguém cheio de
fé, do Espírito Santo, de sabedoria e poder. (Atos 6:3-8). O texto sagrado diz que por conta
disso Estevão fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Todo esse fervor
espiritual de Estevão rendeu muitos frutos espirituais para o cristianismo, mas
também lhe rendeu perseguição, invejas e prisão. Imaginem o exemplo de cristão
sendo preso e pior, morrendo apedrejado, mas foi exatamente isso que aconteceu.
Estevão foi julgado por conta de falsas testemunhas, foi condenado, mas ele não
se apavorou em Atos 6:15, o texto diz que o rosto dele parecia o de um anjo.
Depois de um dos mais belos
sermões já ouvido, Estevão é condenado à morte por apedrejamento. Estevão morre,
mas, morre mantendo o mais alto e elevado testemunho de cristão, morre
perdoando seus agressores Atos 7:60.
Se Estevão que era homem comum e
pecador como nós, e que diante da morte conseguiu perdoar seus agressores
seguindo o exemplo de Cristo quando do alto da cruz exclamou, “Pai perdoa-lhes por
que não sabem o que fazem”, é perfeitamente possível que nós os cristãos do
século XXI tenhamos o mesmo comportamento, mesmo porque foi para isso que fomos
chamados. Na próxima semana mostraremos porque Estevão conseguiu mesmo diante
da morte perdoar seus inimigos.
Pr. João Carlos
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